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Caixa-preta de helicóptero de Rick pode revelar o que aconteceu nos minutos antes da queda

A investigação sobre a queda do helicóptero que matou Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, e outras quatro pessoas entrou em uma nova etapa após a recuperação do gravador de voz da cabine da aeronave.

O equipamento, popularmente chamado de caixa-preta, foi encontrado durante os trabalhos realizados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) no local da queda, em Urubici, na Serra Catarinense.

Trata-se de um Cockpit Voice Recorder (CVR), dispositivo responsável por registrar comunicações e sons dentro da cabine de comando.

Agora, o equipamento será analisado por especialistas e poderá fornecer informações importantes sobre o que aconteceu antes do acidente.

Caixa-preta registra sons da cabine

Diferentemente do que o nome pode sugerir, o equipamento recuperado não necessariamente registra todos os dados técnicos do helicóptero.

O dispositivo encontrado é especificamente um gravador de voz da cabine.

Ele pode armazenar conversas entre piloto e copiloto, comunicações realizadas pelo rádio, alertas sonoros e outros ruídos produzidos dentro da cabine.

Até mesmo alterações nos sons dos motores, rotores ou equipamentos podem fornecer pistas aos investigadores.

Por isso, a gravação pode ajudar a reconstruir o ambiente dentro do helicóptero durante os momentos anteriores à queda.

Últimas conversas dos pilotos podem estar gravadas

Entre as informações mais importantes que os investigadores procurarão estão as conversas entre o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira.

Caso o equipamento esteja preservado e os dados possam ser extraídos normalmente, será possível verificar o que os dois discutiram durante os momentos finais do voo.

Os investigadores poderão procurar referências a condições meteorológicas, visibilidade, rota, funcionamento da aeronave ou qualquer situação anormal percebida pela tripulação.

Também poderão verificar se houve algum alerta sonoro ou tentativa de comunicação pelo rádio.

Não é possível afirmar que exista uma “última conversa de Rick”

Apesar da expectativa em torno do equipamento, existe uma diferença importante.

Não há confirmação de que Rick tenha participado de alguma conversa registrada pelo CVR nos momentos finais do voo.

O equipamento registra os sons captados na cabine de comando. Dependendo da configuração da aeronave e da posição dos ocupantes, conversas realizadas fora da cabine podem não aparecer com clareza ou sequer ser registradas.

Portanto, seria precipitado afirmar que a caixa-preta contém as “últimas palavras de Rick”.

O que está confirmado é que ela pode conter as últimas comunicações e sons registrados na cabine antes do acidente.

Equipamento será analisado em Brasília

Depois de ser recuperado entre os destroços, o CVR foi destinado ao Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo (LABDATA), ligado ao Cenipa, em Brasília.

Segundo a Força Aérea Brasileira, os investigadores iniciarão os trabalhos de preparação, extração e degravação dos dados.

Essa etapa permitirá verificar inicialmente se as gravações foram preservadas e quais informações podem ser recuperadas.

O Cenipa não informou prazo para conclusão de toda a investigação.

Áudios não têm divulgação pública confirmada

A recuperação do equipamento também provocou expectativa sobre uma possível divulgação das gravações.

Até o momento, entretanto, a FAB e o Cenipa não anunciaram que o conteúdo do CVR será disponibilizado publicamente.

A finalidade da análise é fornecer informações aos investigadores responsáveis por identificar fatores que possam ter contribuído para o acidente.

Portanto, a realização da degravação não significa que o áudio original ou uma transcrição completa será divulgada posteriormente.

CVR sozinho não determina causa do acidente

Mesmo que as gravações estejam intactas, a caixa-preta não deverá ser analisada isoladamente.

O Cenipa informou que a nova fase da investigação também examinará atividades relacionadas ao voo, ambiente operacional, fatores humanos, componentes, equipamentos, sistemas e infraestrutura.

Os investigadores poderão ainda cruzar as gravações com informações meteorológicas, comunicações de rádio, dados disponíveis sobre a trajetória da aeronave e a análise dos destroços.

Somente esse conjunto de elementos poderá indicar os fatores que contribuíram para a tragédia.

Causa da queda ainda não foi determinada

Até agora, não existe conclusão oficial sobre o que provocou a queda do helicóptero.

As condições meteorológicas na Serra Catarinense estavam adversas durante o período do acidente e dificultaram inclusive as buscas, mas isso não permite afirmar que o mau tempo tenha provocado a queda.

Hipóteses envolvendo falha mecânica, condições meteorológicas ou decisões operacionais precisam ser verificadas pela investigação antes de serem apresentadas como causa.

Cinco pessoas morreram no acidente

O helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desapareceu na segunda-feira (21) durante um voo em Santa Catarina.

A aeronave havia decolado de Porto Belo e seguia em direção a São Joaquim.

Os destroços foram encontrados no dia seguinte em uma região de mata fechada e terreno montanhoso em Urubici.

Além de Rick, morreram o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira.

Não houve sobreviventes.

Investigação entra na fase de análise dos dados

O Cenipa encerrou às 15h30 de quarta-feira (23) a chamada Ação Inicial, etapa em que investigadores trabalham diretamente no local para coletar evidências, verificar danos e reunir informações relevantes.

Com a conclusão desse trabalho, a investigação passou para a fase de análise.

É justamente nessa etapa que o conteúdo recuperado do CVR será cruzado com as demais evidências.

A caixa-preta poderá, portanto, ser uma peça importante para entender os minutos anteriores à tragédia.

Mas ainda não é possível afirmar o que foi gravado, se Rick aparece nas gravações ou se o conteúdo será divulgado publicamente. Essas respostas dependerão da análise realizada pelos investigadores do Cenipa.