PT pede ao STF investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja aberta uma investigação para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais brasileiras de 2026.
A solicitação foi apresentada nesta quarta-feira (23) ao ministro Flávio Dino, relator da ADPF 1.178, processo no qual o Supremo já analisou os efeitos de medidas impostas por governos estrangeiros sobre o Brasil.
O partido pede que a Polícia Federal investigue diferentes situações que, segundo a petição, podem indicar atuação externa capaz de produzir efeitos sobre a disputa eleitoral.
PT cita anúncios pagos no exterior
Uma das principais frentes do pedido envolve publicações patrocinadas em redes sociais.
Segundo a petição, perfis estrangeiros publicaram entre os dias 18 e 21 de setembro conteúdos favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro, incluindo referências ao desempenho dele em plataformas de apostas eleitorais.
O PT afirma que não conseguiu identificar quem financiou parte dessas publicações e pede que a origem dos recursos seja investigada.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou não ter conhecimento desses anúncios.
A existência das publicações patrocinadas, isoladamente, não comprova que a campanha tenha recebido financiamento estrangeiro. É justamente isso que o partido quer que seja esclarecido pela investigação.
Possível apoio estrangeiro também é citado
Outra frente mencionada no documento envolve suspeitas de eventual apoio de grupos políticos norte-americanos à candidatura de Flávio.
Entre os nomes citados aparece a Rockbridge Network, organização política dos Estados Unidos que já havia sido mencionada em questionamentos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral.
O PT pede que sejam apurados contatos e tratativas envolvendo empresários e pessoas ligadas à campanha brasileira.
A própria petição, no entanto, registra negativas dos envolvidos e reconhece que não existe até agora prova de que recursos estrangeiros tenham sido efetivamente repassados à campanha de Flávio Bolsonaro.
Partido quer rastreamento de recursos
O pedido ao STF também solicita a preservação de documentos e registros digitais.
O partido quer que sejam obtidos contratos, comprovantes de pagamento, dados de plataformas e outras informações que possam ajudar a identificar eventuais financiadores, intermediários e beneficiários das operações questionadas.
Caso apareçam indícios suficientes durante a investigação, a petição pede que outras medidas possam ser avaliadas mediante autorização judicial.
Empresas e estruturas financeiras entram no pedido
O documento também menciona empresas brasileiras com vínculos societários ou financeiros no exterior.
O objetivo é verificar se alguma dessas estruturas teria sido utilizada para intermediar recursos ou serviços relacionados ao PL ou à campanha eleitoral.
Mais uma vez, porém, a petição ressalta que a existência desses vínculos empresariais não prova, por si só, financiamento estrangeiro.
PT também acionou o TSE
Além do pedido apresentado ao STF, a campanha de Lula ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nesse processo, são citados o candidato Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o candidato a vice Alfredo Gaspar.
A campanha acusa Flávio e Eduardo de possível abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação, alegando uma articulação com integrantes do governo norte-americano que teria potencial de influenciar a eleição brasileira.
Essas acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.
Relatório da Abin também entrou no debate
A discussão ganhou força após vir a público a existência de um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre ameaças ao processo eleitoral de 2026.
Segundo a Folha de S.Paulo, o documento colocou a possibilidade de influência e interferência externa dos Estados Unidos entre as ameaças analisadas pelas autoridades brasileiras.
O relatório, porém, não representa uma decisão judicial nem comprova que tenha ocorrido interferência efetiva.
Ele faz parte do trabalho de monitoramento de riscos relacionados ao processo eleitoral.
Pedido foi apresentado dentro de ação já existente
A manifestação do PT foi apresentada na ADPF 1.178, processo relatado por Flávio Dino.
Nessa ação, o Supremo já decidiu anteriormente que atos unilaterais de governos estrangeiros não podem automaticamente produzir efeitos jurídicos no Brasil sem respaldo da legislação nacional.
Agora, o PT quer que esse entendimento também seja aplicado a eventuais ações externas capazes de afetar o processo eleitoral.
Ainda não há conclusão sobre interferência
O ponto principal neste momento é que o STF ainda não concluiu que houve interferência estrangeira nas eleições.
O que existe é um pedido formal do PT para que a Polícia Federal investigue anúncios, financiamentos, contatos políticos e possíveis operações digitais realizadas no exterior.
As suspeitas precisarão ser verificadas por meio de documentos, depoimentos, dados financeiros e informações fornecidas pelas plataformas antes de qualquer conclusão.
Portanto, o correto neste momento é dizer que o PT pediu investigação sobre uma possível interferência estrangeira, e não que essa interferência já tenha sido comprovada.







